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Stoller adquire a startup Rizoflora

Fonte: VALOR ECONÔMICO – AGRONEGÓCIOS – PÁG. B13 10/08/2016

A Stoller Brasil acaba de fechar a aquisição da Rizoflora Biotecnologia, startup mineira com foco em produtos biológicos para o controle de nematoides. A empresa, que há oito anos recebeu aporte de R$ 1,8 milhão da gestora de recursos Inseed Investimentos, encerrou o período entre 2010 e 2016 com receita de R$ 3 milhões. O valor do negócio não foi revelado.

Segundo Alexandre Alves, diretor da Inseed, a venda foi formalizada após a startup obter o registro do Ministério da Agricultura que permite a venda do Rizotec, seu bionematicida à base do fungo Pochonia chlamydosporia, que substitui o uso de agrotóxicos químicos no combate a nematoides. O produto é lançado diretamente no solo para combater os vermes que atacam as raízes das plantas, diminuindo a absorção de água e de nutrientes.

Para contê-los, muitos produtores rurais utilizam nematicidas químicos altamente tóxicos e poluentes, que deixam resíduos no lençol freático e nos alimentos.

“As soluções até então utilizadas eram paliativas. Esta é inovadora, eficaz e ainda biológica, resultado de 15 anos de pesquisa”, disse ao Valor Roberto Risolia, gerente de novos negócios da Stoller Brasil.

Para a Stoller, que atua no segmento de fisiologia, nutrição das plantas e biológicos e fatura no país R$ 500 milhões ao ano, o negócio parece interessante do ponto de vista ambiental e financeiro. Embora os prejuízos causados pelos nematoides sejam mais alardeados nas commodities agrícolas – 40% da área de soja semeada no Mato Grosso costuma sofrer com os vermes, segundo a companhia -, eles são um problema para quase todas as culturas.

“Só na soja, as perdas são de R$ 16 bilhões ao ano, que é quanto o produtor deixa de ganhar por causa dos vermes”, afirma Risolia. Mas as perdas de produtividade atingem outras culturas no Brasil – 10,9% no feijão, 12,2% na batata, 14,2% em citros, 15% no café, 15,3% na cana e 19,7% na banana, segundo a Rizoflora.

Criada em 2006 dentro do Parque Tecnológico na Universidade Federal de Viçosa (UFV), a biofábrica recebeu em 2008 o apoio financeiro do Criatec, fundo de capital empreendedor criado pelo BNDES e com co-gestão da Inseed Investimentos. Com o aporte, a Inseed entrou como sócia majoritária da empresa fundada pelo pesquisador Leandro Grassi de Freitas, do Departamento de Fitopatologia da UFV.

Desde 2013, a startup vinha testando o bionematicida e diz ter conseguido elevar em quatro a seis sacas por hectare o rendimento das lavouras de soja no país com o Rizotec. Com o registro comercial, a Stoller Brasil deu início às vendas para os produtores de soja. A partir de 2017, passará a vender também a produtores de cana, café, cebola e frutas.