Mercado

Alta, de defensivos, busca dobrar receita

Fonte: Valor Econômico – Agronegócios – Pág. B10 19/01/2016

Em um setor dominado por gigantes multinacionais, a Alta-Brasil, dedicada ao desenvolvimento e distribuição de agroquímicos, é ambiciosa. Há pouco mais de um ano no mercado do brasileiro, a companhia registrou um faturamento de R$ 50,2 milhões em 2015 e tem planos para mais do que dobrar esse valor em 2016, para R$ 120 milhões. “Prevemos um salto grande, por isso também investimos bastante. E estamos motivados porque a resposta tem sido boa”, disse ao Valor Túlio Zanchet, fundados e atual presidente do conselho do Grupo Agrihold, que controla a Alta.

A Alta nasceu em 2008, mas começou as vendas no país apenas no segundo semestre de 2014. Nos seis anos até a estreia, investiu R$ 108 milhões (a maior parte em dossiês técnicos para o registro de produtos) e montou um portfólio com oito defensivos agrícolas, que devem se juntas a outros 17 em fase de registro. Produtos para soja, milha, cana-de-açúcar e café lideram as vendas. “Devemos ter quatro novos defensivos por ano no Brasil nos próximos cinco anos. E até lá, esperamos que o país represente 40% do nosso faturamento [hoje é menos de 5%]”, estimou Zanchet.

O Grupo Agrihold teve receita de R$ 1,2 bilhão em 2015 e ainda concentra seus ganhos no Paraguai, onde foi criado 25 anos atrás por Zanchet, que é brasileiro. O engenheiro agrônomo rumou de Francisco Beltrão (PR) para o país vizinho com US$ 5 mil emprestados pelo avô para prestar serviços de consultoria. Mas logo criou a empresa para comercializar insumos agrícolas (agroquímicos, sementes e fertilizantes) e lançou-se ao desafio de formular defensivos.

“São produtos genéricos [moléculas fora de patente], mas baseados em misturas inovadoras, criadas por nós”, explicou o empresário. Para encontra seu lugar ao sol, a Agrihold optou por um modelo apoiado na terceirização: a empresa não tem fabricas próprias. “Somos proprietários das formulações, mas homologamos indústrias já instaladas na China, na Índia e no Brasil como fornecedores”, disse.

O processo de criação dos produtos passa por campos experimentais no Paraguai, no Uruguai e no Brasil, os três países onde a Agrihold atua. A companhia também conta com um laboratório próprio em Xangai, na China.

A Alta é o braço da Agrihold no Brasil, mas no Uruguai e no Paraguai, a empresa tem nomes diferentes e posição de liderança na distribuição de insumos, conforme Zanchet. No Uruguai, atende por Solaris, e no Paraguai, Agrotec e Caelum. Além de vender seu portfólio, o grupo é representante exclusivo da Basf nos dois países – e no Paraguai, especificamente, tem oito lojas próprias. Próxima ao produtor, desenvolveu também uma pequena operação de trading de grãos, que negocia 250 mil toneladas de soja e 150 mil de milho por ano.

Mais recentemente, a companhia voltou suas atenções para o segmento de “agricultura sustentável”, segundo Zanchet. Assim estabeleceu uma joint venture nos EUA e começou a importar para o Brasil no fim de 2015 um produto para a recuperação de solos degradados, adaptado às condições do país. “Ele traz ainda um incremento significativo na produtividade e na qualidade das culturas. No café, por exemplo, tem ajudado a incrementar a bebida para os níveis gourmet”, afirmou.

A Alta cogita fabricar o produto no Brasil, mas espera um volume de comercialização mais elevado. “Como o produto é baseado em nanotecnologia e os equipamentos são caros, uma planta pequena absorveria R$ 50 milhões”, previu Zanchet.

O executivo também não descarta uma indústria para produzir defensivos localmente, o que necessitaria de um aporte de ao menos R$ 40 milhões. Contudo, disse ele, isso ainda não compensa. “Mas imaginamos que, com o crescimento dos volumes vendidos, será essencial. Só não sabemos em qual dos três países”.

Por: Mariana Caetano