Mercado de defensivo agrícola biológico tem boas perspectivas no País

Fonte: Brasilagro 17/02/2016

Estimativas da Associação Brasileira das Empresas de Controle Biológico (ABCBio) indicam taxas anuais de crescimento de até 20% nas vendas.

O mercado mundial de defensivos agrícolas biológicos tem registrado índice de crescimento cinco vezes superior ao da indústria de defensivo químico. Segundo dados consolidados pela CPL Business Consultantes, de 2011 a 2014, o mercado mundial desses produtos teve crescimento médio anual de 15,3%. A tendência não é diferente no Brasil, onde a percepção é de que as vendas desse setor cresçam entre 15% a 20% nos próximos anos. As projeções foram divulgadas, em entrevista coletiva, concedida nesta terça-feira (10), em São Paulo, pela Associação Brasileira das Empresas de Controle Biológico (ABCBio), entidade que reúne os principais produtores desse mercado.

“O rápido crescimento do mercado de defensivos biológicos se deve ao elevado custo para o desenvolvimento de um novo defensivo químico, em torno de US$ 250 milhões, à maior demanda da sociedade e também dos órgãos reguladores pela produção de alimentos sem resíduos e também ao fato de o defensivo biológico, quando utilizado em alternância com os produtos químicos, permitir um prolongamento da vida útil dos defensivos químicos”, explicou Pedro Faria Jr., presidente da ABCBio.

Além desses fatores, Faria Jr. relacionou ainda outros fatores para o expressivo crescimento, como foco maior em uma agricultura sustentável, na qual ganha importância o uso de produtos menos tóxicos ao meio ambiente e ao homem; maior resistência das pragas aos defensivos químicos; oferta limitada de novas moléculas pelos produtores de defensivos químicos; expressivo avanço tecnológico verificado na área de defensivos biológicos, com o desenvolvimento de formulações mais eficientes e com maior vida de prateleira.

De acordo com dirigentes da ABCBio, fatores como uma nova mentalidade dos produtores agrícolas em relação ao manejo integrado de pragas (MIP), no qual os defensivos biológicos desempenham papel primordial, também auxiliam nas boas perspectivas de crescimento das vendas de defensivos biológicos no país nos próximos anos. “A principal tendência no mercado é de que os biodefensivos acabem tendo uma convivência harmoniosa com os defensivos químicos”, comentou Ari Gitz, integrante do Conselho da ABCBio, acrescentando que há casos em que a prática do MIP tem gerado economia de até 26% em comparação com o uso de manejo tradicional.

O segmento foi favorecido ainda pela grande importância que os produtos de controle biológico tiveram em recentes e graves problemas fitossanitários surgidos em algumas culturas no Brasil. “O exemplo mais marcante dessa situação foi o aparecimento da Helicoverpa armigera, uma nova praga que já causou enormes prejuízos aos agricultores brasileiros e cujo controle, economicamente viável, só foi conseguido graças à introdução de inseticidas microbiológicos e de insetos parasitoides no plano de manejo de pragas”, explicou Faria Jr.

Nesse sentido, ganha importância a atuação de institutos de pesquisas oficiais, onde surgiram muitas das novas tecnologias hoje disponíveis no mercado. Há um consenso no meio de que ainda há muita tecnologia e práticas de manejo para se desenvolver. O controle biológico ainda está num estágio inicial de desenvolvimento, havendo, portanto, muito conhecimento a ser gerado nesse campo. Os defensivos biológicos chegaram para compor um pacote de ferramentas de manejo que resultem em soluções para problemas fitossanitários, no qual os químicos também estão inseridos. Para os técnicos da ABCBio, na agricultura moderna e sustentável, temos de utilizar, de forma conjunta, todas as ferramentas disponíveis.

Ainda segundo os dirigentes da ABCBio, auxiliou também na valorização dos biodefensivos a decisão tomada pelos organismos certificadores de permitir que os defensivos biológicos fossem registrados por alvo e que, portanto, possam ser utilizados em todas as culturas. Todos esses fatores fazem do Brasil, um dos mercados mais importantes para os defensivos biológicos em todo o mundo. Uma prova disso é que os dirigentes mundiais das empresas relacionadas com defensivos biológicos escolheram o Brasil para ser a sede do Congresso Internacional de Biocontrole, agendado para acontecer em Campinas, interior paulista, no mês de novembro de 2016. Trata-se do mais importante evento internacional ligado ao segmento de defensivos biológicos e que no Brasil será coordenado pela ABCBio.

Sobre a ABCBio

A Associação Brasileira das Empresas de Controle Biológico (ABCBio) foi fundada em 2007 com o objetivo de congregar as empresas do setor, reunindo fabricantes e comerciantes de produtos biológicos, buscando o fortalecimento e a representatividade do setor em todas as instâncias relacionados com a atividade. Reunindo atualmente 21 empresas, a entidade busca o contínuo aprimoramento organizacional, assim como a modernização e a profissionalização da atividade, com participação ativa na construção dos marcos regulatórios. Todas as ações da entidade são avalizadas por respeitáveis profissionais do mundo acadêmico e seu Comitê Técnico Científico atua nas áreas de parasitoides e predadores, fungos para controle de doenças, bactérias e nematoides entomopatogênicos, entre outros, e conta com a participação de profissionais de notório saber. Com todas essas precauções, a associação contribui significativamente para a consolidação de um novo conceito de controle de pragas na agricultura brasileira.

 

Atual diretoria:

Presidente – Pedro Faria Jr. – (Biocontrole)

Vice-presidente – Gustavo Herrmann – (Koppert)

Diretor técnico – Lécio Kaneko – (Ballagro)

Diretor secretário – Alan Pomella – (Grupo Farroupilha)

 

Conselheiros:

Alexandre de Sene Pinto – (Bug)

Ari Gitz – (Biocontrole)

Elitamara Morsoletto dos Santos – (Biocontrole)

Maria de Lourdes Settem Fustaino (FMC)

Marcelo Poletti – (Promip) (Assessoria de Comunicação, 10/11/15)