Pesquisa

Olimpíada eleva risco de entrada de novas pragas nas lavouras brasileiras

Fonte: DCI - AGRONEGÓCIOS 03/08/2016

Estados Unidos lideram ranking de países que ameaçam a agricultura do Brasil com espécies desconhecidas; Ministério da Agricultura intensifica fiscalizações dos passageiros nos aeroportos

São Paulo – A realização dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, região com nível menor de produção rural, pode não parecer uma ameaça para a agricultura do País. No entanto, cerca de 1.890 pragas exóticas podem desembarcar no Brasil, inclusive com risco para a soja, cultura nacional mais rentável.

Na China, por exemplo, mais de 50 espécies exóticas, inexistentes no país, foram encontradas após as Olimpíadas de Pequim, em 2008. Com isso, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) estabeleceu um esquema especial de fiscalização, vigente entre os dias 5 e 21 de agosto, durante os Jogos Olímpicos, e de 7 a 18 de setembro, nos eventos Paralímpicos.

“Cargas e pessoas entram e saem todos os dias. Evitamos falar em uma praga específica porque o importante é controlar as pragas em geral. Agora, o perigo aumenta dado o fluxo migratório”, afirma o gerente de educação e treinamento da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), Fábio Kagi.

Ameaças

De pelo menos um milhão de turistas que passarão pelo País em função dos jogos, a principal ameaça está com os americanos. Além de representarem cerca de 200 mil visitantes, os Estados Unidos são líderes entre os detentores de pragas desconhecidas para o Brasil, são 289 segundo um levantamento da Oxya, consultoria em defesa agropecuária e inteligência estratégica para o setor.

Pelos cálculos da Oxya, ao menos 160 países que estarão na Rio 2016 apresentaram pelo menos uma espécie de praga quarentenária para a soja ausente no Brasil. Estados Unidos (com 16 espécies exóticas), China (15), África do Sul (15) e Austrália (15) são as principais ameaças à oleaginosa brasileira nos Jogos. Ao todo, a cultura conta com 23 invasores em potencial. O segmento que carece de mais atenção é o hortifrúti, visto que pêssego, ameixa e maçã contam com mais de 40 possíveis pragas.

O executivo da Andef explica que é importante fazer o mapeamento dos riscos para verificar fatores como a possibilidade de sobrevivência dos organismos e a existência de produtos químicos para um eventual controle.

“As possibilidades são diversas. A condição climática é um dos fatores que determina a sobrevivência da praga. Se ela vier do frio extremo ou comer exclusivamente um alimento que não existe no Brasil, não oferecerá risco”, diz Kagi.

Sendo assim, é importante reforçar a atenção nos acessos ao País. Uma das medidas que entrou em vigor recentemente foi o uso de cães farejadores nos aeroportos para identificar alimentos nas bagagens.

Prevenção

Ao DCI, a fiscal federal agropecuária do Sistema de Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro) do Mapa, Edilene Cambraia Soares, destacou, em nota, que os aeroportos de Brasília (DF), Guarulhos (SP), Galeão (RJ), Confins (MG), Manaus (AM), Salvador (BA) e Viracopos (SP), receberão reforço nas equipes de fiscalização. Só os aeroportos do Galeão e Guarulhos, principais pontos de entrada no País, o número de funcionários do Vigiagro aumentará 35%, passando de 114 para 154 nos Jogos Olímpicos, já nos Jogos Paralímpicos, o incremento será de 24%.

O Mapa ainda desenvolve uma ação para informar os turistas. O material, confeccionado em português, inglês e espanhol, informa que frutas e verduras, produtos lácteos, e mel e derivados, entre outros, devem ser informados na Declaração de Bens do Viajante e apresentados à fiscalização.

Neste quesito, o auditor representante do Sindicato Nacional dos Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical), Oscar Rosa, lembra que há um grande número de falha na interpretação da Instrução Normativa nº 11/16, por exemplo, que regulariza a entrada de produtos de origem animal. “Queijos e presuntos só são aceitos se forem de longa maturação, um processo de desidratação que muitas vezes não está no rótulo do produto. Alertamos que a norma precisa de revisões o quanto antes.”

Nayara Figueiredo

 

Ranking
Ranking dos países que oferecem maior risco para a agricultura