Pesquisa

Inimigos naturais de Bemisia tabaci

Fonte: DefesaVegetal.net - 16/02/2017 16/02/2017

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Ácaros predadores nativos são aliados contra a mosca-branca                                                                Foto: Stephen Ausmus (xxxx)

Bemisia tabaci (mosca-branca) é uma das principais pragas agrícolas e possui uma gama de plantas hospedeiras de importância econômica para o Brasil. Além de causar dano direto à planta ao sugar a seiva; indiretamente promove a ocorrência do fungo fumagina e, é vetor de diversos vírus, como: Tomato severe rugose virus, Bean golden mosaic virus, Cowpea mild mottle virus, Tobacco curly shoot virus, Potato yellow mosaic virus, Pepper golden mosaic virus, Lettuce chorosis virus, Cotton leaf curl virus, entre outros.

O método mais utilizado para controle de mosca-branca é o uso de defensivos agrícolas. Porém, o manejo inadequado pode levar à seleção de linhagens resistentes e comprometer a eficácia do método. Sendo assim, uma alternativa de controle é a utilização de inimigos naturais, tais como ácaros predadores da família Phytoseiidae.

A boa notícia é que dois estudos publicados por pesquisadores da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” /Universidade de São Paulo (ESALQ/USP) mostram que as ferramentas para controle biológico podem estar bem aqui, na nossa frente.

 A fauna brasileira é bastante diversa, contudo não existiam estudos sobre o potencial de espécies nativas para o controle da mosca-branca no Brasil. Em um trabalho pioneiro, o primeiro estudo, experimentos foram realizados com cinco populações brasileiras de fitoseídeos (Amblydromalus limonicus, Amblyseius herbicolus, Amblyseius largoensis, Amblyseius tamatavensis e Neoseiulus tunus) como candidatos para o controle da mosca-branca. No segundo estudo, experimentos mais refinados foram conduzidos para avaliar o potencial da população brasileira de A. tamatavensis no controle de B. tabaci.

Aspectos biológicos dos predadores foram avaliados em laboratório quando alimentados com ovos de B. tabaci. Em ambos os estudos, os experimentos laboratoriais foram conduzidos a 28 ± 1ºC, aproximadamente 80% de umidade relativa (UR) e 12h de fotoperíodo diário. Os experimentos para avaliar a capacidade do predador em reduzir a população de mosca-branca foram conduzidos com plantas de pimentão.

Os resultados mostraram que populações brasileiras das espécies A. herbicolus, A. tamatavensis e N. tunus são promissoras como agentes de controle biológico de Bemisia tabaci, principalmente A. tamatavensis. Este predador foi capaz de promover reduções significativas das populações da praga em comparação com as densidades em plantas nas quais o predador não havia sido liberado.

O controle biológico assume papel importante em programas de manejo integrado dessa praga. A utilização de inimigos naturais é uma alternativa promissora e favorece a conservação e o uso sustentável dos recursos biológicos. Entretanto, sua utilização depende do prévio registro e cadastro junto aos órgãos competentes, bem como da recomendação por um profissional habilitado.