Blogpost

MIP – Manejo Integrado de Pragas é a melhor estratégia para proteção da lavoura

14/08/2019

MIPO Manejo Integrado de Pragas, ou MIP, desempenha um papel fundamental no controle de pragas e doenças nas lavouras. Ele deve ser feito de forma preventiva e utilizando várias práticas que possibilitam a prevenção de pragas de maneira sustentável em cada cultura.

Reduzir custos e produzir mais são os objetivos de todo produtor rural. Dentro da produção agrícola, o Manejo Integrado de Pragas auxilia diversos agricultores a superar esse desafio nas mais variadas culturas. Se não utilizarmos o MIP como estratégia permanente nas lavouras, será cada vez mais caro e difícil produzir.

Dentro do Manejo Integrado de Pragas, são utilizadas técnicas de controle de pragas que incluem produtos químicos, tratos culturais e controle biológico por meio de parasitoides, predadores, nematoides, fungos, vírus e bactérias. Ele promove ganhos significativos de produtividade em várias culturas, entre as quais podemos destacar milho, soja, algodão, feijão, etc.

O que é MIP – Manejo Integrado de Pragas

O MIP, Manejo Integrado de Pragas, é um conjunto de medidas que dá suporte para a tomada de decisão de controle. Pode ser definido como o uso de várias técnicas de combate às pragas nas lavouras.

Ele é capaz de preservar e aumentar os fatores de mortalidade natural, mantendo a população da praga em níveis abaixo daqueles capazes de causar dano econômico. Porém, para que possamos entender melhor o MIP, é necessário definir alguns conceitos:

  • Dano Econômico (DE): é a quantidade mínima de injúria causada pela praga que justifica a aplicação de determinada tática de manejo.
  • Nível de Dano Econômico (NDE): é a menor densidade populacional da praga que causa dano econômico.
  • Nível de Controle (NC): é a menor densidade populacional da praga na qual táticas de manejo necessitam ser tomadas para impedir que o NDE seja alcançado.

Nível de Equilíbrio (NE): é a densidade populacional média de uma população de inseto por um longo período de tempo, não afetadas por temporárias intervenções no controle da praga.

MIP densidade populacionalPortanto, o MIP – Manejo Integrado de Pragas é um conjunto de medidas que visa manter as pragas abaixo do nível de dano econômico (NDE). Essas medidas são aplicadas quando a densidade populacional da praga atinge o nível de controle (NC). Quando a população de pragas se mantém abaixo do NC, ela está em nível de equilíbrio (NE).

Estrutura do MIP – Manejo Integrado de Pragas

Podemos pensar no MIP como a construção de uma casa. A base (ou alicerce) é construída com base nos seguintes pontos:

  • Condições do ambiente observado;
  • Nível de controle das pragas;
  • Monitoramento de pragas;
  • Informações sobre a espécie da praga.

Já os pilares são os tipos de controle que podemos utilizar:

  • Controle cultural;
  • Controle biológico;
  • Controle comportamental;
  • Controle genético;
  • Controle varietal;
  • Controle químico.

programa integrado MIPA observação diária e detalhada das plantações é o primeiro passo do processo. Sem monitorar e identificar o tipo de praga e o crescimento de sua população no campo, não há como se aplicar o MIP.

É importante começar o monitoramento mesmo antes do início do plantio. Monitorar significa fazer amostragens frequentes das populações de pragas para saber se elas estão causando prejuízo ou não.

Quando elas estão causando prejuízo passam a ser consideradas praga. Nesse momento, há a necessidade de fazer controle e, para isso, existem várias táticas de manejo.

Táticas do MIP

Se a presença da praga atingir níveis críticos, é necessário decidir qual é a melhor forma de combatê-la. Ou seja, quais táticas do MIP serão aplicadas à lavoura. Dentre elas, temos:

Controle cultural

O controle cultural consiste em reduzir a disponibilidade de alimentos para a praga, evitando a sua explosão populacional na entressafra. Deve-se eliminar restos culturais e plantas daninhas hospedeiras entre uma safra e outra.

Esse tipo de controle deve ser permanente na lavoura como ação preventiva, independentemente da presença ou não de pragas.

Controle comportamental

O controle comportamental consiste na utilização de sinais químicos entre os seres vivos. Esse tipo de controle utiliza plantas armadilhas, plantas repelentes e feromônios para interrupção de acasalamento de pragas etc.

No caso de feromônios, estes podem ser associados às armadilhas. Dessa forma vários insetos machos são capturados e isso impossibilita o acasalamento, pois eles não encontram as fêmeas.

Além disso, os feromônios também podem ser utilizados para confundimento. São colocados feromônios em vários pontos fora das armadilhas fazendo com que os machos se confundam, seguindo falsas trilhas e, assim, impedindo o acasalamento. Com isso, a próxima geração de pragas é reduzida.

Controle genético

A adoção do controle genético refere-se à manipulação do genoma de uma praga para que esta possa ser controlada. É um método seletivo e possibilita diminuir a população de pragas por meio da redução do potencial reprodutivo delas.

É o caso, por exemplo, do mosquito da dengue geneticamente modificado (GM) para que os machos sejam estéreis. Uma vez liberados no ambiente, eles concorrem com os machos não estéreis pelas fêmeas. Esse método, entretanto, ainda não é amplamente utilizado.

Controle varietal

O controle varietal consiste na utilização de variedades resistentes que podem ser obtidas por melhoramento genético convencional ou transgenia.

As variedades transgênicas podem apresentar uma ou mais proteínas capazes de controlar insetos, a exemplo das Bt, principalmente lagartas. Entretanto, para que essa estratégia seja eficiente, é necessário levar alguns pontos em consideração:

  • Escolha de híbridos e variedades recomendadas para cada região;
  • Adoção de áreas de refúgio (áreas plantadas com a mesma cultura, porém, com variedades sem a tecnologia Bt);
  • Além disso, outras práticas agronômicas de manejo são recomendadas para que se tenha maior eficiência no uso dessas tecnologias.

Controle biológico

O controle biológico consiste em ações para preservar inimigos naturais benéficos, como parasitoides, predadores, nematoides, fungos, vírus e bactérias. Além de serem preservados, eles podem ser liberados na lavoura ou serem preparados em formulações com ações fungicidas, inseticidas ou nematicidas e pulverizados sobre as culturas.

Controle químico

No MIP, o uso de defensivos químicos deve ser feito com produtos seletivos, que tenham pouco efeito sobre inimigos naturais e polinizadores. Nesse caso, deve-se também prestar atenção na alternância de ingredientes ativos e nos modos de ação desses produtos. A rotação desses produtos é para evitar ou retardar que as pragas desenvolvam resistência.

A aplicação do mesmo produto com o mesmo modo de ação, safra após safra, em grandes áreas de cultivo, poderá selecionar indivíduos resistentes e, após algum tempo, a praga já não será mais sensível a esse produto.

No uso do controle químico é importante estar atento à tecnologia de aplicação. Deve-se utilizar de forma correta o pulverizador, garantindo a deposição do produto na dosagem correta e no alvo desejado.

Como aplicar o MIP – Manejo Integrado de Pragas na prática

Para implantar o MIP em uma lavoura, é necessário entender seus princípios e ferramentas. Não basta fazer a amostragem e realizar o controle, o Manejo Integrado de Pragas é mais amplo do que isso. Entenda os passos:

1º Passo: verificar se há a possibilidade de utilizar variedades resistentes sempre utilizando métodos culturais.

2º Passo: depois da implantação da lavoura, devemos começar a amostragem e a identificação de pragas.

3º Passo: a partir das informações colhidas na amostragem, se identificarmos que elas estão causando danos, devemos saber quais agentes de controle biológico ou produtos químicos que podem ser utilizados.

Essa é a base do Manejo Integrado de Pragas.

Cuidado adicional com relação a produtos biológicos quando eles são utilizados no MIP: existem restrições de compatibilidade entre os produtos biológicos e as moléculas químicas que são adotadas na rotação.

O posicionamento correto deve ser orientado pelo fabricante e deve seguir as orientações de um engenheiro agrônomo devidamente capacitado para trabalhar com controle biológico e com manejo integrado de pragas.

A função do MIP no controle de resistência de produtos químicos

Insetos e doenças estão se tornando cada vez mais resistentes ao controle químico como resultado do uso desse método como única forma de controle. Quando falamos de controle de pragas, devemos dar atenção à questão do manejo de resistência.

Tem-se observado que ao longo de gerações ou dentro do próprio ciclo da cultura, que um produto químico pode perder a sua eficiência. É recomendado no MIP a adoção de um conjunto de medidas que devem ser levadas em consideração para a evitar que haja desenvolvimento da resistência. Ou seja, destaca-se a importância de rotacionar produtos químicos com modos de ação distintos.

A utilização de plantas transgênicas exige a adoção do refúgio. Essa boa prática tem como objetivo produzir insetos suscetíveis que vão cruzar com aqueles eventualmente resistentes. Assim, a população da praga se manterá, ao longo do tempo, sensível à proteína presente na variedade transgênica. Ou seja, o MIP – Manejo Integrado de pragas também contempla medidas para se manejar a resistência.

Exemplos de utilização de MIP nas grandes culturas

Atualmente há um avanço muito grande da adoção MIP na cultura da cana-de-açúcar. Isso engloba desde o uso de variedades resistentes, passa pela adoção de produtos seletivos e chega até a utilização de ferramentas biológicas. Trata-se de caso de sucesso da agricultura brasileira internacionalmente reconhecido.

Além da cana, temos outros casos de êxito. A utilização de baculovírus na soja associada à utilização de controle químico é um exemplo.

Podemos também citar o emprego dos ativos biológicos de controle no tratamento de sementes ou em aplicação direta no sulco. Essa prática vem se tornando viável e eficaz para complementar os tratamentos químicos realizados, melhorando ainda mais o seu desempenho.

Agentes de controle biológico podem contribuir para melhorar o desempenho de outros tipos de controles, inclusive do químico.

Combater pragas e impedir que elas causem grandes prejuízos às culturas é possível com o Manejo Integrado de Pragas. Para isso, o mais importante, é a mudança de atitude e a adoção do manejo corretamente.

Vale ressaltar que o motivo da utilização do MIP não é eliminar as pragas, mas sim reduzir sua população para abaixo do nível de controle.

O conjunto de técnicas do MIP – Manejo Integrado de Pragas, associado à manutenção dos inimigos naturais das pragas nas plantações, favorecem à volta do equilíbrio natural. Essa estratégia aumenta a resistência abiótica e evita que novas pragas se estabeleçam.

Fonte: EMBRAPA.