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O crescimento do biocontrole na agricultura

06/09/2019

BiocontroleO biocontrole, também conhecido como controle biológico, é uma prática cada vez mais adotada na agricultura, essa adoção está diretamente relacionada aos ótimos resultados que tem apresentado nas culturas de cana-de-açúcar, soja e feijão.

Sua utilização correta, ou seja, dentro do Manejo Integrado de Pragas (MIP) agrega sustentabilidade no controle de pragas e doenças dentro da produção agrícola.

Por ser um mercado em ascensão, instituições de pesquisa e empresas têm investido, cada vez mais tempo e recursos no desenvolvimento de novas tecnologias para o emprego do biocontrole na lavoura.

O biocontrole no Brasil

O biocontrole teve início no Brasil em 1921 com a importação do inseto Prospaltella berlesei para controle da cochonilha escama-branca do pessegueiro. Naquela época, o que se fazia, basicamente, era o controle biológico clássico (introdução de um agente biológico de origem não-nativa) a partir da liberação de pequenas quantidades do agente biológico, uma medida de controle de longo prazo.

A partir da década de 1970 ocorreram os casos de maior sucesso de controle biológico clássico de pragas no País. Entre eles, a criação e liberação em massa do parasitóide Cotesia flavipes nas plantações de cana-de-açúcar, hoje esse inseto é utilizado em, pelo menos, 3,2 milhões de hectares para controlar a broca da cana (Diatraea saccharalis).

Na cultura da soja, o biocontrole foi muito usado nas décadas de 1980 e 1990 com a aplicação de baculovírus para o manejo da lagarta da soja (Anticarsia gemmatalis). A explosão de pragas como Helicoverpa armigera e Spodoptera frugiperda em 2013, fizeram aumentar a busca por produtos biológicos de controle.

Atualmente, para o controle dessas pragas, são utilizados além de outros baculovírus, o inseto parasitóide Trichogramma pretiosum e a bactéria Bacillus thuringiensis.

Aumento no número de produtos biológicos de controle

A grande abrangência do biocontrole e a pressão da sociedade por uma agricultura que não agrida o meio ambiente e não leve resíduos aos alimentos, tem resultado em um maior interesse dos produtores pelos produtos biológicos de controle (PBC).

No Brasil, a busca por tecnologias que possam ser utilizadas dentro dessa estratégia resultou no aumento de 77% na comercialização de PBC entre 2017 e 2018.

Com isso, o portfólio de produtos biológicos de controle disponíveis para os agricultores brasileiros realizarem o biocontrole em suas lavouras tem crescido. Atualmente existem 228 produtos registrados no Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA), esses produtos podem apresentar como ingrediente ativo:

  • Vírus
  • Bactérias
  • Fungos
  • Nematoides
  • Ácaros
  • Insetos
  • Extrato vegetal Substâncias químicas de origem natural

 

Produtos biológicos de controle

Diferentemente dos defensivos químicos, os produtos biológicos de controle podem ser registrados para um ou mais alvos biológicos, ou seja, por pragas e doenças. Dessa forma, podem ser utilizados em qualquer cultura na qual a praga ou doença esteja presente, a não ser que haja restrições de algum órgão estadual.

É o caso do uso do biofungicida formulado a partir do ingrediente ativo Trichoderma harzianum que apresenta eficiência no controle de diferentes fungos fitopatogênicos (fungos que causam doenças em plantas) como Fusarium spp., Rhizoctonia spp., Sclerotinia sclerotiorum, Pratylenchus zeae e Thielaviopsis paradoxa.

O Trichoderma no biocontrole

Devido à sua versatilidade o fungo Trichoderma spp. é um dos microrganismos mais estudados e utilizados no biocontrole de pragas e doenças das lavouras. Pesquisas mostram que os mecanismos de ação desse organismo em relação ao patógeno, permitem que ele seja classificado como:

  • Antagonista: ao produzir uma ou mais substâncias que inibem o crescimento ou a reprodução de organismos vivos que causam doenças (patógenos).
  • Micoparasita: ao se alimentar de nutrientes do próprio patógeno.
  • Competidor: ao disputar pelos mesmos recursos do ambiente, como alimento e espaço.

Além disso, o Trichoderma também pode promover o crescimento do sistema radicular, favorecendo a solubilização de nutrientes e tolerância a estresses abióticos e ativando os mecanismos de defesa da planta, o que induz o desenvolvimento de resistência contra patógenos.

Os biofungicidas formulados a partir de Trichoderma spp. são desenvolvidos a partir de esporos (estruturas reprodutivas) desse fungo. São produzidos em laboratórios e comercializados sob diversas formulações (suspensão concentrada, pó molhável ou granulado) e podem ser utilizados em culturas de soja, feijão, algodão, morango, tomate, entre outras.

Na cultura da soja, o produto biológico composto por Trichoderma harzianum deve ser diluído e pulverizado em determinado estágio de desenvolvimento da planta. A solução entrega os esporos no solo onde se desenvolvem e controlam a proliferação de fungos e nematoides.

Ao utilizar essa tecnologia o produtor se beneficia de uma lavoura com maior rendimento, por conta do aumento de vagens por planta, assim como um maior número de plantas por metro quadrado.

O biocontrole e o Manejo Integrado de Pragas

Pesquisas da Emater-PR e Embrapa mostram uma redução de cerca de 50% no uso de defensivos químicos quando o biocontrole é utilizado junto ao Manejo Integrado de Pragas (MIP) na soja. Para que o controle biológico ocorra na lavoura, a aplicação de produtos químicos é adiada em até 30 dias, preservando os agentes de biocontrole presentes no solo.

É essencial que o biocontrole faça parte do MIP e para que essa estratégia funcione é importante ter uma equipe técnica profissionalizada, que saiba combinar de forma adequada os produtos utilizados na estratégia de biocontrole, os produtos químicos e a prática conservativa do solo.

O objetivo é reduzir a população de pragas e doenças para abaixo do nível de controle, mantendo a eficiência das tecnologias disponíveis e favorecendo à volta do equilíbrio natural. Ao realizar o MIP de forma preventiva o agricultor poderá reduzir custos e produzir mais utilizando práticas sustentáveis.