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Agentes biológicos: conheça os protagonistas do controle biológico

13/09/2019

Agentes biológicosAgentes biológicos, dentro do controle biológico, são considerados os organismos benéficos, capazes de diminuir a população de uma praga ou a incidência de doenças, mantendo um nível que não cause danos econômicos à lavoura. Esses organismos também são conhecidos como inimigos naturais ou agentes de controle biológico.

Por serem organismos encontrados na natureza, a utilização dos agentes biológicos na agricultura está alinhada às exigências do mercado no que diz respeito às quantidades de resíduos químicos nos alimentos básicos. Com isso, a partir dos agentes biológicos novas tecnologias e estratégias tem sido desenvolvidas para uso nas lavouras.


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A natureza dos agentes biológicos

Os agentes biológicos podem ser: vírus, bactérias, fungos, nematoides, insetos, ácaros, algas e plantas. Diferentemente dos organismos considerados pragas e que podem causar danos e doenças às plantas, os agentes biológicos são organismos benéficos para a lavoura. Eles auxiliam na redução de defensivos químicos aplicados, o que favorece a preservação da biodiversidade. 

Essas características fazem com que exista um grande interesse na busca por agentes biológicos, pois esses organismos podem ser utilizados como ativos biológicos no desenvolvimento de produtos de controle de doenças e pragas, levando sustentabilidade à agricultura. Afinal, os organismos possuem inimigos naturais em seu ambiente de origem.

Para que novos produtos sejam disponibilizados aos produtores é necessário que, antes, os pesquisadores identifiquem esses organismos no ambiente natural, muitas vezes, dentro da própria lavoura a fim de compreender suas relações e mecanismos de interação. Para isso, os inimigos naturais são levados para laboratórios onde são detalhadamente estudados e selecionados de acordo com sua eficiência. Aqueles que se destacam e possuem características compatíveis com as lavouras tem um potencial de compor um produto formulado para o controle de pragas e doenças.

Os agentes biológicos 

Os predadores, parasitoides e entomopatógenos, constituem os principais grupos de agentes biológicos, que atuam na regulação populacional de pragas e doenças em muitos sistemas agrícolas.

Agentes biológicos – predadores

São considerados predadores aqueles organismos que na natureza apresentam comportamento predatório em diferentes estágios de vida, necessitando consumir uma determinada quantidade de presas para se desenvolver até a fase adulta. Atualmente, existem produtos biológicos de controle desenvolvidos a partir desse grupo de agentes biológicos para o controle de insetos, fungos e ácaros na lavoura.

Os agentes biológicos Phytoseiulus macropilis e Stratiolaelaps scimitus são algumas das espécies de ácaros predadores, já utilizadas para o controle de insetos e fungos que atacam principalmente mudas de hortaliças, plantas ornamentais e fruteiras. 

Já as espécies Phytoseiulus macropilis e Neoseiulus californicus são eficientes no controle do ácaro-rajado que afeta diversas culturas como: maçã, maracujá, morango, tomate e outras. Esse agente biológico preda ovos, larvas, ninfas e até mesmo, o ácaro adulto, podendo apresentar um controle de até 80% dessa praga.

Agentes biológicos – parasitoides

Os parasitoides são aqueles organismos que necessitam de um hospedeiro para completar seu ciclo de vida. São representados, principalmente, por insetos e podem parasitar diferentes fases de desenvolvimento da praga.

A maioria dos parasitoides são da ordem Hemiptera (vespas, percevejos, cigarrinhas e outros) e podem atacar todos os estágios de vida dos insetos, ou seja, ovo, larva, pupa e adulto. As larvas dos parasitoides se alimentam da praga, e os adultos de vida livre, se alimentam principalmente de néctar.

Entre os parasitoides, as vespas Cotesia flavipes e a Trichogramma galloi são as mais conhecidas e amplamente utilizadas nas culturas de cana-de-açúcar e soja. Parasitoides como o T. galloi, colocam seus ovos dentro de ovos do inseto praga. A larva da vespa se alimenta do conteúdo interno dos ovos da praga até sua fase de pupa e de cada ovo parasitado emerge pelo menos uma nova vespa pronta para parasitar outros ovos.

Agentes biológicos – entomopatógenos

Os entomopatógenos são representados, em sua maioria, por microrganismos, ou seja, vírus, bactérias e fungos. Esses agentes biológicos são capazes de infectar insetos, levando-os à morte. As pragas infectadas por esses microrganismos ficam “doentes” e morrem, por isso, muitas vezes são chamadas de bioinseticidas, a depender do agente biológico, os entomopatógenos podem agir sobre:

  • Bactérias;
  • Fungos;
  • Nematoides;
  • Insetos;
  • Ácaros.

A bactéria Bacillus thurigiensis ou Bt, como é mais conhecida, atua no intestino médio de larvas recém eclodidas de insetos. Esse agente biológico libera proteínas em forma de cristal que causa toxicidade no intestino da larva, levando-a à morte. 

Já o fungo entomopatogênico B. bassiana é capaz de liberar no ambiente milhares de esporos (estruturas de reprodução). Esses esporos, ao entrarem em contato com um inseto praga, independentemente do seu estágio de vida (ovo, larva, pupa, ninfa ou adulto), irão germinar na superfície do organismo, colonizá-lo internamente e levá-lo a morte.

Essa classe de agentes biológicos é a que atualmente apresenta maior número de produtos biológicos de controle disponíveis no mercado. Pelo menos 30 espécies de microrganismos foram estudadas, os resultados dessas pesquisas foram transferidos em tecnologia para mais de 140 produtos que hoje estão registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

Agente biológico, é tecnologia

No Brasil, a maioria dos produtos biológicos de controle, disponíveis no mercado, apresentam como ativos um ou mais agentes biológicos. Existem pelo menos 194 produtos registrados no MAPA, que apresentam em sua formulação algum organismo benéfico. Sendo a maioria, composta por fungos.

Produtos biológicos por agente biológicoApesar do número de produtos registrados ser grande, a diversidade das espécies de agentes biológicos utilizadas ainda é muito baixa. São apenas 30 espécies distribuídas em bactérias, fungos, nematoides, insetos, ácaros e algumas cepas de vírus. O que evidencia a necessidade de mais investimentos em pesquisas nessa área.

Agentes biológicos registrados no Brasil

Os desafios na produção de agentes biológicos

O sucesso do controle biológico depende da qualidade do agente biológico a ser utilizado e da sua disponibilidade ao agricultor. Esses agentes, produzidos em laboratório, precisam manter sua capacidade de controle no campo. Para tanto, devem suportar determinados períodos de prateleira e de transporte, assim como seu modo de liberação no campo deve ser adequado a cada tipo de agente e cultura.

Além disso, há também o desafio da produção em larga escala desses organismos benéficos. Para superá-lo, os pesquisadores e empresas desenvolvem tecnologias específicas para cada agente biológico.

Para a produção de agentes biológicos, é necessário, na maioria das vezes, a produção em laboratório também dos organismos pragas. Nesses casos, é preciso desenvolver dietas artificiais, específicas para cada organismo. Devem ser determinadas, por meio de investigações científicas, a quantidade de agentes biológicos de controle necessários para cada hectare tratado.

A produção de agentes biológicos como bactérias e fungos, é muito criteriosa, uma vez que existe elevado risco de contaminação por outros microrganismos que podem interferir na eficiência do agente biológico. As estruturas reprodutivas desses organismos devem apresentar alta taxa de sobrevivência, germinação e elevado grau de pureza.


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A forma com que os agentes biológicos são liberados no campo também afetam na sua efetividade contra as pragas e doenças. Por isso, é necessário desenvolver tecnologias adequadas e capacitação profissional para utilização de produtos que possuem agente biológico como ingrediente ativo, visando a qualidade e eficiência no controle de pragas no campo.

É importante ressaltar que a produção dos agentes biológicos deve ser realizada em laboratórios devidamente equipados, contar com profissionais capacitados para conduzir os procedimentos e inúmeras vezes, as formulações exigem padrões específicos de desenvolvimento. Portanto, apenas seguindo os padrões de pesquisa e desenvolvimento é possível produzir tecnologia de qualidade contra as pragas e doenças em condições de campo. Vale lembrar que o controle biológico deve sempre ser utilizado como parte do Manejo Integrado de Pragas (MIP).

Se utilizado de forma adequada, o agente biológico servirá como uma ferramenta eficiente, ecologicamente correta e de custo benefício para o produtor.