A biodefesa na agricultura brasileira

O protagonismo do agronegócio brasileiro

graficoUm dos mais competitivos do mundo, o agronegócio brasileiro avançou enormemente nas últimas décadas. De uma produção de 100 milhões de toneladas de grãos (basicamente soja e milho), verificada em meados da década de 80, a safra atual é da ordem de 200 milhões/ton por ano. Tal aumento se deu sem alteração expressiva na área plantada, que desde 2013 está estacionada na faixa de 57 a 58 milhões de hectares. Hoje, de cada hectare saem 3 toneladas de grãos. Em 1977, era apenas uma tonelada. Também a produtividade por trabalhador subiu 142% no período 2001/2011. Esses excelentes indicadores do agronegócio impactam no PIB brasileiro, que atinge hoje a casa de 21,46% e evoluem ano após ano. Refletem também, na efetivação de superávits na balança comercial brasileira e na geração de empregos – em 2015 o setor registrou um saldo comercial de US$ 75,1 bilhões –, e garantindo oferta abundante de alimentos no mercado doméstico, determinante no controle inflacionário.

Controle biológico e ganhos de produtividade agrícola

O controle biológico é indispensável no programa de Manejo Integrado de Pragas (MIP), pois combina práticas culturais e químicas para gestão da resistência, com reais ganhos na produtividade. Por meio de seus modos de ação, os biodefensivos são altamente específicos para a praga alvo, que permite a vida de insetos benéficos à produção (predador natural), e diminui a dependência de mais agroquímicos. A maioria dos biodefensivos é isenta de limites máximos de resíduos em alimentos em todo o mundo, reduzindo a exposição dos consumidores e do meio ambiente a resíduos tóxicos. Assim, é possível alcançar elevados índices de eficiência no manejo, e redução gradativa de necessidade de insumos, o que possibilita ao produtor um aumento da renda de sua lavoura. Os benefícios do MIP resultam em maior estabilidade nas populações de pragas também para as lavouras subsequentes.

 

O decisivo papel da ABC Bio

Criada em 2007, a ABC Bio – Associação Brasileira das Empresas de Controle Biológico desempenha a missão de promover e estimular o controle biológico como uma técnica avançada e eficiente composta por produtos que geram menos resíduos nos alimentos, são menos agressivos ao meio ambiente, ao homem e animais, além de proporcionar maior produtividade ao agricultor. Congregando atualmente 25 indústrias do setor, a entidade vem conseguindo expressivos avanços, fortalecendo a representatividade nas várias instâncias relacionadas com a atividade. A ABC Bio busca o contínuo aprimoramento organizacional, a modernização e a profissionalização do setor, com participação ativa na construção dos marcos regulatórios. Todas as ações da entidade são avalizadas por respeitáveis profissionais do mundo acadêmico e de um Comitê Técnico Científico. Com essas precauções, a associação dá contribuição significativa para a consolidação de um novo conceito de controle de pragas na agricultura brasileira.

Desenvolvimento de pesquisas pela indústria brasileira

O atual estágio tecnológico do segmento de controle biológico de pragas no Brasil está no mesmo nível de outros países. Empresas nacionais competem com fabricantes mundiais, em qualidade e eficácia dos produtos. Várias instituições brasileiras, similares as existentes no exterior, realizam avançadas pesquisas de produtos e práticas agronômicas, em função das peculiaridades climáticas tropicais. A maioria de nossas empresas está evoluindo no processo de formulações e desenvolvimento de novos produtos, e nas formas de aplicação e melhor adaptação dos organismos ao clima. Além do investimento em inovação tecnológica realizado pelas empresas do segmento, houve uma importante contribuição na atuação dos vários institutos de pesquisa oficiais, para o desenvolvimento de novas tecnologias, já disponíveis no mercado. O consenso no meio é de que ainda há muita tecnologia possível de ser desenvolvida nessa área no Brasil, cujas características tropicais estimulam a inovação e o desenvolvimento de ativos biológicos diferentes, uma vez que os problemas fitossanitários ocorrem durante o ano todo.

 

Principais agentes biológicos

Os biodefensivos podem ser usados no combate a pragas em diversas culturas. Aplicam-se nas commodities mais vendidas no mundo, como soja e milho, e também em prosaicas plantações de hortifrutigranjeiros. Em geral, combatem pragas e doenças provocadas por lagartas comuns, mosca branca, diversas doenças de solo, nematoides de galha, cigarrinha das raízes, broca da cana, ácaros fitófagos e fungus gnats entre outros agentes nocivos à produção agrícola. O segmento dispõe de uma série de agentes biológicos, como o Bacillus thuringiensis (Bt), Trichogramma pretiosum, Beauveria bassiana, Trichoderma spp, Bacillus spp., Metarhizium anisopliae, Cotesia flavipes, Trichogramma galloi e ácaros predadores entre outros. Não existe restrição ao uso de biodefensivos em nenhuma cultura. Normalmente, deve-se levar em conta, no ato da prescrição de um agente, o alvo a ser controlado. As culturas de maior expressão que utilizam o controle biológico no Brasil são a soja (Bt) e a cana (Metarhizium e Cotesia). Os defensivos biológicos mais utilizados no Brasil são os inseticidas, fungicidas e nematicidas. Suas aplicações mais comuns se verificam nos processos da pulverização foliar, liberação de pupas e adultos, tratamento de sementes, inoculação de sulco de plantio e jato dirigido, entre outros.

 

O futuro promissor do controle biológico

O mercado mundial de defensivos agrícolas biológicos tem registrado índices de crescimento cinco vezes superior ao da indústria de defensivos químicos. A tendência é a mesma no Brasil, com expressivo consumo nos próximos anos motivadas pelos seguintes fatores:

  • Nova mentalidade do setor produtivo – o Manejo Integrado de Pragas (MIP) cresce num ritmo acelerado e os defensivos biológicos são primordiais neste sistema.
  • Oferta limitada de novas moléculas químicas convencionais.
  • Foco em uma agricultura mais sustentável, com menor toxidade ao ambiente, ao homem e aos animais.
  • Manejo de resistência de pragas.
  • Condição climática brasileira e a prática de monocultura favorecem a proliferação de novas pragas.
  • Avanços tecnológicos oferecem caminho para desenvolvimento do potencial de produtos biológicos mais eficientes.
  • A pressão regulatória pela gestão de resíduos favorece a aprovação de produtos mais seguros e naturais.
  • Aumento da demanda do consumidor e supermercados (busca por produtos com resíduos zero).
  • Aumento de estudos de compatibilidade, de pesquisa e desenvolvimento favorece o uso dos defensivos biológicos compatíveis com os defensivos sintéticos, convencionais.
  • Evolução continua da escala de produção e métodos de aplicação.